Temos policia por variados preços, o cujas atribuições se cooiplicam muito umas com as outras, e não se faz senão gastar dinheiro, fazendo-se um serviço irregular.
Um soldado da guarda ganha 441 réis, o policia civil 500 réis, os guardas nocturnos não custam nada ao estado, e fazem uma excelente policia; é uma policia meramente particular, e parece-me que havia conveniência em destina-la para outras atribuições.
Eu creio que a guarda municipal deve existir, mas entendo que- as suas funcções devem ser muito diversas d'aquelas que exerce.
A guarda municipal não devia servir senão para a policia de grandes ajuntamentos, o quando houvesse receio de alguma perturbação do ordem publica, mas não andarem dois pobres homens carregados não sei com quantos capotes, com uma espingarda pesada a passear pelas ruas da cidade.
O serviço de patrulhas devia ser feito pelos guardas nocturnos quando os houvesse, ou pelos guardas civis, muito embora houvesse estações de guarda municipal para acudir a qualquer acontecimento mais importante.
Mas, emfim, é esta uma questão transcendente que exigia uma largueza de vista da parte do reformador.
Poderia mesmo estabelecer-se em todo o reino o serviço de policia rural, que já existe em alguns pontos.
Diz se que o estabelecimento de policia rural em todos os districtos encontra grande oposição.
Não posso responder por todos os districtos, mas a respeito de alguns posso dizer que a policia rural seria recebida de braços abertos, com tanto que fosse bem administrada, não só porque o seu serviço seria melhor, mas seria muito mais barato.
A policia rural que existe hoje é particular, e não pôde ter a autoridade que teria a policia rural do estado.
O único elemento de força de que dispõe a policia que guarda a propriedade particular é uma espingarda com que faz fogo a quem invade a propriedade que ela está encarregada de guardar.
Se essa policia fosse do estado, se tivesse outras atribuições e outros elementos de força, havia de impor-se pelo respeito devido á lei.
Mas é esta uma questão que levaria uma discussão muito demorada.
Sessão de G do maio de 1879