Comunicado

A ASPGN - Associação Sócio-Profissional dos Guardas-Nocturnos vem, por este meio, partilhar com a opinião pública e com as entidades competentes algumas considerações que entende serem de interesse para a segurança comunitária e para a valorização de uma profissão com séculos de presença ao serviço das populações portuguesas.

Na audição regimental realizada no dia 21 de abril de 2026, na Assembleia da República, o Senhor Ministro da Administração Interna fez referência à existência de um estigma, que algures no passado eram os Guardas-Noturnos os criminosos. Esta Associação discorda e não compreende tal observação, mas entende que o caminho para superar qualquer estigma passa, precisamente, pela formação, pela regulamentação e pela valorização institucional dos profissionais do setor, elementos que, lamentavelmente, continuam por concretizar.

Desde 2015 que se encontra prevista, por portaria do Ministério da Administração Interna, a regulamentação da formação obrigatória para o exercício da profissão de guarda noturno. Esta Associação foi ouvida no âmbito de um projeto elaborado pelo próprio Ministério e deu o seu contributo com toda a disponibilidade e responsabilidade. Aguardamos, até à presente data, uma resposta ou desenvolvimentos concretos.

A ausência desta regulamentação tem consequências práticas e imediatas. A título de exemplo, no passado dia 30 de abril, fomos contactados pela Câmara Municipal do Porto para apoiarmos a abertura de concursos de guarda noturno. Manifestámos a nossa impossibilidade de o fazer, pois estaríamos a compactuar com um ilícito, alertando para o facto de que, sem formação regulamentada, tais concursos poderão ficar desertos, ou, em alternativa, conduzir ao licenciamento de profissionais sem a preparação adequada para o exercício de funções que, nos termos da lei, podem incluir o porte de arma de fogo e o uso de meios de coerção de classe E. A segurança das populações e dos próprios profissionais assim o exige.

A legislação vigente é, na nossa opinião, suficientemente robusta para garantir o bom desempenho das funções de guarda noturno. O que se impõe é o seu cumprimento integral. Nesse sentido, e tendo em conta que a atividade de guarda noturno não representa qualquer encargo para o erário público e presta um serviço reconhecido às comunidades, esta Associação pondera solicitar, a breve trecho, uma audiência ao Senhor Ministro da Administração Interna, com o objetivo de encontrar, em conjunto, soluções que promovam a segurança comunitária e a dignificação dos profissionais do setor, de forma a serem eliminados estigmas e licenciamento de profissionais sem qualquer tipo de formação, como legalmente exigido.

Acresce que, na última revisão do Código Penal, apesar dos nossos apelos a todos os grupos parlamentares, os guardas noturnos foram excluídos do agravamento de penas para quem agrida profissionais em funções, proteção essa que foi conferida a polícias, bombeiros e outros. Esta exclusão é incompreensível e injusta, e não desistiremos de a ver corrigida.

Confiamos na sensibilidade e na responsabilidade das entidades competentes para que esta matéria receba a atenção que merece.

A Direção