Reforçar a segurança comunitária

Publicada por Carlos Tendeiro | quarta-feira, agosto 26, 2026 | , , , , , ,

 A segurança das populações deve ser uma prioridade efetiva e permanente de todos os responsáveis políticos, quer ao nível do Governo central, quer ao nível das autarquias locais.

Num momento em que cresce, de forma evidente, a perceção de insegurança sentida por muitos cidadãos, comerciantes e empresários, torna-se indispensável olhar para os Guardas Noturnos com uma perspetiva renovada. Estes profissionais constituem um elemento de proximidade, prevenção e vigilância, profundamente enraizado nas comunidades onde exercem funções.

Os Guardas Noturnos conhecem as ruas, os estabelecimentos, os moradores e as dinâmicas locais. A sua presença regular contribui para dissuadir comportamentos ilícitos, identificar situações de risco, alertar atempadamente as autoridades competentes e reforçar o sentimento de tranquilidade de quem vive, trabalha ou investe nas nossas cidades, vilas e aldeias.

Ao mesmo tempo, é inegável a crescente dificuldade de recrutamento para as forças e serviços de segurança do Estado. A falta de atratividade das carreiras e a insuficiência de novos candidatos exigem que o país valorize também todos os mecanismos complementares de segurança comunitária, nos quais os Guardas Noturnos podem e devem assumir um papel relevante.

É, por isso, urgente que o Ministério da Administração Interna regulamente, de uma vez por todas, a formação dos Guardas Noturnos, assegurando critérios claros, exigentes e uniformes de preparação profissional. Uma formação devidamente regulamentada reforçará a qualidade do serviço prestado, a confiança dos cidadãos e o reconhecimento institucional destes profissionais.

Mas é igualmente essencial que os Presidentes de Câmara, e os órgãos autárquicos, reconheçam os Guardas Noturnos como parceiros importantes da segurança comunitária. As profundas alterações verificadas nas cidades, com novos fluxos turísticos, maior concentração de estabelecimentos comerciais, restauração, alojamento local, zonas de diversão noturna e diferentes realidades urbanas, exigem respostas ajustadas e de proximidade.

Não se pretende que os municípios substituam os cidadãos, comerciantes, condomínios ou empresas na contratação e comparticipação do serviço de Guarda Noturno. Pretende-se, sim, que as câmaras municipais, enquanto pessoas coletivas públicas e entidades diretamente responsáveis pela qualidade de vida local, possam também contribuir para a sustentabilidade deste serviço.

Essa contribuição municipal seria um impulso decisivo para tornar a profissão mais atrativa para novos candidatos, assegurar a continuidade dos serviços existentes e permitir o reforço da presença dos Guardas Noturnos nos territórios onde a sua ação é mais necessária.

Valorizar os Guardas Noturnos é investir na prevenção, na proximidade e na tranquilidade das comunidades. É reconhecer que a segurança não se constrói apenas através da resposta à criminalidade, mas também pela presença regular no terreno, pelo conhecimento da realidade local e pelo envolvimento de todos, Estado, autarquias, cidadãos e agentes económicos.

A Associação Sócio-Profissional dos Guardas Noturnos continuará a defender que estes profissionais sejam devidamente reconhecidos, formados, valorizados e integrados numa verdadeira política de segurança comunitária, à altura dos desafios que Portugal enfrenta.